Bem-vindos

Olá, sejam bem-vindos ao meu blog e fiquem a vontade para pesquisar.
Se você tiver alguma dúvida sobre o assunto abordado, deixe comentário na postagem, que estarei respondendo.
beijos

Atividades

segunda-feira, 24 de novembro de 2008 · 0 comentários

1) O homem não teve sua origem na América, mas chegou através de rotas migratórias. Segundo alguns pesquisadores a migração se deu através das:

2) Os primeiros povos que aqui chegaram já seriam:

3) Os seres humanos viviam da pesca, caça e da coletagem de frutos, por exercerem essa atividade, foram denominados de:

4) Por meio da constituição Mato-grossense de 1891, foram eleitos respectivamente por meio do voto indireto, a Presidente e vice-presidente de Mato Grosso:

5) Os primitivos habitantes do Brasil foram vítimas do processo colonizador. O europeu, com visão de mundo calcada em preconceitos, menosprezou o indígena e sua cultura. A acreditar nos viajantes e missionários, a partir de meados do século XVI, há um decréscimo da população indígena, que se agrava nos séculos seguintes. Os fatores que mais contribuíram para o citado decréscimo foram:

6) Em relação ao Tratado de Tordesilhas, assinado no dia 7 de junho de 1494, entre Portugal e Espanha, podemos afirmar que:

7) Os bandeirantes paulistas chegaram em Mato Grosso a partir do século XVI. Quais os motivos que os levaram a se aventurarem pelo sertão desconhecido?

8) Durante o período colonial, o Estado português deu suporte legal a guerras contra povos indígenas do Brasil, sob diversas alegações; derivou daí a guerra justa, que fundamentou:

9) Com a volta de D. João VI para Portugal em 1821, D. Pedro I se tornou o novo Imperador a partir da independência do Brasil. Marque corretamente a data desse acontecimento:

10) A Rusga, foi um movimento ocorrido em Mato Grosso em 03 de maio de 1834, sendo idealizada por qual partido?

11) em 1821, a Corte de Lisboa exigiu o retorno de D. João VI em Portugal. Ficou aqui no Brasil em seu lugar, podendo governar apenas o Rio de Janeiro o seu filho.

12) Com a vinda da família Real para o Brasil, houve muitas mudanças que acabaram contribuindo para a sua modernização.

13) Para melhor colonizar Mato Grosso, D. Rolim de Moura foi incumbido de fazer doações de:

14) Qual foi a primeira capital da Capitania Mato-grossense e qual sua sua data de fundação

15) Os índios Paiaguás e os Guaicuru eram conhecido respectivamente por serem:

16) A Rusga em Mato Grosso, portanto, foi um dos movimentos regenciais, visto que deflagrado em 1834. Mesmo tendo sido uma luta armada travada no interior das elites, ela engrossou uma movimentação ampla, tendo sido plural em suas reivindicações e expressões. Quais os motivos que levaram os Mato-grossense à esse movimento?

17) No período Imperial, houve grandes acontecimentos que marcaram a História do Brasil. Cite-os.

20) Os escravos eram “as mãos e os pés do senhor de engenho”. Isso porque o branco colonizador não poderia exercer qualquer atividade braçal. Em quais séculos esse conceito foi mais forte?

21) Os negros africanos que vieram para o Brasil foram levados para trabalhar em quais atividade?

22) Como era feita a divisão da sociedade mato-grossense no Brasil no período Imperial?

23) Os povos que por aqui passaram, deixaram uma série de vestígios, por meio de figuras rupestres, utensílios domésticos. Os quais podem ser encontrados em:

24) Qual foi o primeiro governador da nova capitania mato-grossense?

25) Cite a reação dos negros africanos frente à escravidão.

26) No Brasil escravista, surgiram inúmeros Quilombos como forma de resistência, mas houve um que ficou na História do Mato Grosso como sendo o que mais resistiu á investida dos brancos.

27) cite respectivamente as datas dos períodos: Colonial, Imperial e Republicano:

28) Com a deposição de D. Pedro II, o governo do Brasil passou de Imperador à Presidente. O primeiro Presidente do Brasil foi:

POAIA

quarta-feira, 12 de novembro de 2008 · 2 comentários

















POAIA OU IPECA (Cephaelis ipecacuanha A. Richard)


•Natalino Ferreira Mendes atribui à Poaia parte do progresso que ocorreu em Cáceres
em meados do século XIX, pois, a cidade era um dos mais importantes centro
comercial deste vegetal (Tabela 1);
•Ela permaneceu como importante produto de exportação de Mato Grosso durante
toda a segunda metade do século XIX, exportação que entra em decadência no final
do século;
•O nome da planta em português, ipecacuanha, é originado da palavra nativa i-pe-kaaguéne,
que significa “planta de doente de estrada”. A ipecacuanha (Cephaelis
ipecacuanha) é uma espécie medicinal conhecida popularmente por ipeca,poaia,
dentre outras;
•Os europeus aprenderam a usar a Poaia com os indígenas da América do Sul, que
usavam suas raízes para induzir vômito e como antídoto contra picadas de cobras
venenosas;
• Os dois principais alcalóides extraídos da raiz da Poaia são:
•A cefalina tem poder emético que provoca o vômito e em dose reduzida, como
expectorante nas bronquites e asmas, para facilitar a eliminação das mucosidades
dos brônquios, purgativo e tônico;
•A emetina era usada para tratamento de amebíase intestinal, amebíase com cólica
hepática de alta seriedade e outros males relacionados à disfunção hepática. Mas,
devido o alto grau de toxicidade, a emetina foi substituída por produtos sintéticos
(Metronidazol – Flagyl- e Secnidazol);
•O preço médio em 2002 da raiz podia chegar até R$ 35,00/kg no mercado nacional e o
litro do extrato fluído, até U$ 150 como produto de exportação que em geral são para
Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Onde, produzem a emetina hidrocloride em uma
cotação de U$ 800 a U$ 830 o quilograma;
•O Brasil é o principal exportador, seguido do Panamá e Costa Rica. Em face de uma
progressiva devastação das florestas nas zonas produtoras dos Estados de Mato
Grosso e Rondônia, levando a espécie ao risco de extinção, as exportações têm
decrescido;
Em decreto Nº 51.167, de 9 de agosto de 1961. Jânio Quadros declara protetoras
florestas no Estado de Mato Grosso e Território Federal de Rondônia:
“ combinado com o artigo 11º do Código Florestal, decreto nº 23.793, de 23 de janeiro
de 1934, as florestas tanto de domínio público como as de propriedade privada,
existentes, ao norte, ao longo de Serra dos Parecis, confinando ao sul e oeste com a
fronteira Brasil-Bolívia e a leste com o rio Paraguai, localizada no Estado de Mato
Grosso e Território Federal de Rondônia, onde ocorre "ipeca" ou "poaia"( Cephaelis
Ipecacuanha ), A. Rich”.
Para, de certa forma proteger as fronteiras e as riquezas naturais.
POAIA OU IPECA (Cephaelis ipecacuanha A. Richard)
Fonte: http://www.cootrade.com.br/files/Download/caceres_cartaz12_poaia.pdf
CÁCERES: DIAGNÓSTICO PARA PLANEJAMENTO URBANO PMAT – Programa de Modernização da Administração Tributária e Gestão dos Setores Sociais Básicos www.cootrade.com.br Elaboração: Fonte: GARCIA, D. S. da C. Territórios e negócios na “era dos impérios”: os belgas na fronteira oeste do Brasil. Campinas: UNICAMP/Instituto de Economia, 2005. Fonte: Salatino, 2007 Fonte:www_giftpflanzen.com

Guerra do Paraguai

segunda-feira, 10 de novembro de 2008 · 0 comentários

Rios que formam a Bacia Platina:

1. Rio Uruguai
2. Rio Paraguai
3. Rio Iguaçu
4. Rio Paraná
5. Rio Tietê
6. Rio Paranapanema
7. Rio Grande
8. Rio Parnaíba
9. Rio Taquari
10. Rio Sepotuba

Seus três rios principais – Paraná, Paraguai e Uruguai



Fonte da imagem: http://www.frigoletto.com.br/GeoFis/Bacias/prata.jpg

Bacia do Paraguai corre pelas terras planas no Pantanal. É navegável e tem como destaque o porto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul que, combinado a outros meios de transporte, leva ferro e manganês explorado no Maciço de Urucum e é porta de entrada de outros produtos dos demais países da bacia platina. No entanto, o principal porto é o de Assunção, situado no Paraguai.
A Bacia do Uruguai tem importância para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Corre por áreas elevadas, mas é navegável no trecho entre as cidades de São Borja, no Brasil, e Salto, no Uruguai.
Em Salto funciona a hidrelétrica uruguaio-argentina de Salto Grande.
Várias cidades brasileiras dessa bacia estão situadas em fronteiras internacionais demarcadas pelo Rio Uruguai, como São Borja, Uruguaiana e Itaqui, que mantêm intensas relações com cidades do outro lado da margem, na Argentina.
A Bacia do Paraná é a maior das três. Situa-se em áreas do sudeste e sul do Brasil e foi intensamente transformada para a construção de hidrelétricas e para a navegação. Destacam-se, além do rio Paraná, os vários afluentes pela geração de energia e pelo recente desenvolvimento das hidrovias. Isto se deve à extensão e aos desníveis naturais dos rios e à localização da bacia, próxima aos grandes centros industriais, comerciais e populacionais do país. A segunda maior usina do mundo, Itaipu, encontra-se nessa bacia.
Entre os seus rios encontra-se o Rio Tietê, o maior símbolo de poluição das águas no Brasil, que atravessa quase todo o estado de São Paulo e a sua capital. O rio é atacado diariamente por descargas de esgotos, resíduos industriais, agrotóxicos e todo o lixo produzido pelas atividades econômicas e humanas próximas ao seu leito e a seus afluentes.
A hidrovia Tietê-Paraná está entre os grandes projetos da Bacia do Paraná. A partir de Conchas, situada cerca de 100 km da cidade de São Paulo (rio Tietê), o percurso navegável é de 2.400 km até a barragem de Itaipu, no Estado do Paraná, na fronteira com o Paraguai. A ligação deste sistema com as via navegável do rio Paraguai forma a hidrovia do Mercosul, com cerca de 8 mil km de extensão, incluindo os trechos da Argentina e Paraguai.

A Guerra do Paraguai: Os Protagonistas

Apesar de a grande maioria das pessoas já perceber que a Guerra do Paraguai não foi uma disputa de mocinhos e bandidos, pouca coisa foi escrita sobre esse importante acontecimento, que normalmente é estudado de forma superficial. Para compreendermos esse conflito, é necessário entender o conjunto de interesses envolvidos, superando o maniqueísmo que envolve a relação de Brasil e Paraguai e aprofundar o entendimento sobre o papel do imperialismo inglês.
O PARAGUAI tornou-se independente em 1811, no quadro de crise do Antigo Sistema Colonial espanhol, quando da dominação napoleônica na Península Ibérica. Assim como em outras regiões da América, a elite criolla liderou o movimento, porém permaneceu vinculada à antiga ordem, mantendo seus tradicionais privilégios. A necessidade de desvincular-se das pretensões de Buenos Aires contribuiu para o inicio da formação do Estado Nacional, que tornou-se mais efetiva a partir de 1814, com a ascensão de José Rodrigues de Francia.
Iniciava um governo centralizado, ditatorial. O poder concentrou-se nas mãos de El Supremo, ditador perpétuo do país. Francia iniciou uma transformação radical no país, uma vez que sua ditadura passou a apoiar-se nas camadas populares, com a eliminação da escravidão, a redução drástica do poder da Igreja Católica e com a criação das "Estâncias da Pátria", fazendas estatais, onde o trabalho era comunitário, sendo que a metade da produção ficava com o Estado; deu início ainda a organização do ensino, que em poucos anos acabaria com o nalfabetismo.
Apesar da precariedade da economia do novo país, há um processo de crescimento e lentamente Francia busca a modernização: a produção agrícola aumenta e forma-se uma base de sustentação interna fora do modelo britânico, já dominante na maioria da América.
Ao mesmo tempo formou-se uma grande oposição a seu governo fora do Paraguai: a antiga elite desterrada e as camadas dirigentes das nações vizinhas, particularmente a Argentina e o Brasil. O Paraguai tem, desde o início, grande dificuldade de exportar sua produção - os principais produtos eram o fumo e o erva mate - uma vez que depende do Rio da Prata, dominado pelos mercadores de Buenos Aires.
Em 1840 com a morte de Francia, assume o poder Carlos Antonio Lopez, apoiado em um discurso de "modernização" e "progresso", Lopez manteve a centralização política e aprofundou o isolamento do país frente ao capital internacional. Ferrovias e pequenas industrias foram criadas com a contratação de especialistas estrangeiros e a educação continuou a ser estimulada pelo governo. "Tudo o que o Paraguai consome, ele mesmo produz".
Porém essa autonomia é precária, apesar do desenvolvimento interno do país, a pobreza ainda é muito grande ( menor do que no período colonial) porém todos tinham trabalho e a alimentação básica. O enfraquecimento da Igreja em oposição ao fortalecimento do Estado; a organização de uma estrutura militar e a elevação do nível de vida, garantiam o apoio popular à ditadura. É importante lembrar ainda que a criminalidade havia praticamente desaparecido.
Nessa sociedade, 80% da população era "ïndia", que passava a desfrutar dos mesmos direitos civis que possuía a população branca.
Em 1862 Francisco Solano Lopez assume o lugar do pai e preserva a poítica ditatorial. Solano pretendia construir o "Grande Paraguai", porém a situação interna e externa se modificavam rapidamente e levariam o país à guerra.
O BRASIL, única monarquia na América e região que preservou a unidade territorial após a independência, vivenciou duas décadas de intensas lutas regionais ao mesmo tempo em que preservou as estruturas coloniais. O Primeiro Reinado e o Período Regencial foram marcados por grave crise, que começou a ser superada com o governo de D Pedro II, com o aumento das exportações e com a consolidação do Estado Nacional.
Apesar de adotar um modelo político monárquico centralizado, o Brasil era governado pelas elites agrário exportadoras, influenciada por uma pequena elite urbana vinculada a importação e exportação e associada ao capital inglês. A maior estabilidade política verificada após 1850, deveu-se ao maior equilíbrio entre as elites regionais, que por sua vez foi possível com o aumento das exportações, principalmente de café. No entanto, se as exportações aumentavam, o mesmo acontecia com as importações, determinando um crescente déficit nas finanças do Estado. A crise econômica aprofundava-se, em grande parte devido à submissão do país ao capitalismo inglês. A Maior parte da produção agrícola era exportada para a Inglaterra, assim como a maior parte de nossas importações provinha desse país. Os investimentos em infra estrutura eram feitos por banqueiros ingleses, que ao mesmo tempo controlavam bancos e as casas de importação e exportação e emprestavam dinheiro diretamente ao Estado. Mesmo durante a ruptura de relações diplomáticas entre os dois países, as relações comerciais foram mantidas.
A ARGENTINA foi um dos primeiros "países" a proclamar sua independência, em 1810, com a formação do cabildo de Buenos Aires; no entanto, desde esse período, as lutas internas foram intensas devido aos vários interesses regionais, destacando-se principalmente a disputa entre unitaristas e federalistas, possibilitando o desenvolvimento do caudilhismo. Mesmo a existência de uma Constituição e de governos centralizadores, como a ditadura de Rosas, não conseguiram, na [prática, forjar a unidade nacional, pois os interesses regionais chocavam-se entre si e principalmente com os interesses de Buenos Aires.
Essas divisões internas acabaram por facilitar a dominação econômica da inglesa. A Argentina possuia uma economia exportadora, tanto de produtos derivados da pecuária, como de generos agrícolas, e a elite da capital, ligada ao comércio, aumentou seus vínculos com o capital britânico. A visào em relação ao Paraguai era um dos poucos motivos que poderia unir os distintos interesses argentinos: Nos anos posteriores a independência, a Argentina pretendera a anexação do Paraguai, uma vez que faziam parte do mesmo território colonial - o Vice-Reino do Prata. Um raciocínio semelhante pode ser usado em relação ao Uruguai, pretendido pelos argentinos, que assim dominariam a Bacia do Prata.
O URUGUAI é normalmente tratado como um país que desenvolveu-se a partir de interesses externos. Sua localização geográfica tornava-o peça fundamental para todos que possuíam interesses no comércio platino.
Depois de anos sob domínio do Brasil, o Uruguai conquistou sua independência definitiva em 1828, com o apoio da Inglaterra, com o discurso de "preservar a liberdade de navegação na bacia do Prata" procurou não só a libertação frente ao domínio brasileiro, como preserva-lo face aos interesses argentinos. Desta forma o Uruguai passou a ser visto como um "Estado tampão", separando Brasil e Argentina e garantindo a livre navegação.
Apesar da independência, o território uruguaio continuou a ser cobiçado pelas "potências sul americanas": foi comum a invasão e ocupação de terras por pecuaristas gaúchos. Grande parte das atividades internas, rurais ou urbanas, desenvolveram-se a partir de empreendimentos do Barão de Mauá, se bem que, muito mais representando os interesses ingleses do que brasileiros.
A INGLATERRA é vista tradicionalmente como a grande responsável pela guerra entre o Brasil e o Paraguai. Uma das dificuldades da História é definir o peso que cabe a cada um dos interesses envolvidos, uma vez que a Inglaterra é a grande potência imperialista da época.
O século XIX foi caracterizado pela Segunda Revolução Industrial, pela expansão imperialista sobre a África e Ásia e pela "divisão internacional do trabalho", fruto do imperialismo de poucas nações. A Inglaterra continuou a ser a maior potência industrial, porém passou a ter concorrentes em relação ao desenvolvimento tecnológico, necessitando garantir cada vez mais o controle sobre suas colônias e áreas de influência.
Na América, os países recém independentes tinham um papel fundamental dentro dessa nova ordem capitalista, e nesse sentido, a economia paraguaia destacava-se, fugindo da órbita do imperialismo inglês.
Para a Inglaterra, a preservação de suas áreas de influência era vital para a preservação de sua posição hegemônica, e para isso, os mecanismos usados foram variados, porém sempre com caráter imperialista ( Guerra do Ópio, Guerra dos Cipaios...) quando a diplomacia e o poder econômico não funcionavam, a intervenção militar direta ou indireta era o caminho usado, justificada tanto pelos interesses econômicos como pelo discurso racista, de superioridade em relação a outros povos, como por exemplo os "índios" paraguaios.

FONTE: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=12

A RUSGA

domingo, 9 de novembro de 2008 · 0 comentários

A RUSGA(Mato Grosso-1834)

A Regência no Brasil, que durou de 1831 a 1840, foi uma conseqüência da abdicação de D. Pedro I. Durante esse período, dois grupos políticos dominavam a vida pública nacional, embora, na verdade, essa predominância tenha se estendido durante todo o Segundo Reinado, até 1889, quando da proclamação da República. De um lado os progressistas (mais tarde, Partido Liberal), aliados do regente padre Feijó, e de outro os regressistas (depois, Partido Conservador), facção política composta na maioria por portugueses que desejavam a volta do ex-imperador. Ideologicamente, essas duas correntes políticas tinham pouca diferença entre si, mas a ambição pelo poder as mantinha separadas, em constante pé de guerra.
Nas províncias, seus adeptos agrupavam-se sob nomes diversos. No Mato Grosso não acontecia coisa diferente, e por isso os liberais davam a si mesmos a denominação de “Sociedade dos Zelosos da Independência”, enquanto os conservadores preferiam intitular-se como “Sociedade Filantrópica”. Os membros dessas duas associações disputavam ferrenhamente o poder local, e foi nessa busca obsessiva pelo “direito” de mandar em tudo e em todos, que eles protagonizaram um capítulo sangrento da história mato-grossense. A professora Elizabeth Madureira Siqueira, doutora em Educação, Mestre em História e integrante do Conselho Diretor da Fundação da Universidade de Mato Grosso, esclarece em seu livro “A Rusga em Mato Grosso”, que:

“A Sociedade Filantrópica desejava recolocar no trono D. Pedro I, assim como ver mantido no poder político da província do Mato Grosso o grupo que tradicionalmente vinha conduzindo a política, e que, naquele momento, estava simbolizado pelo então presidente Antônio Corrêa da Costa, nomeado por D. Pedro I. A Sociedade dos Zelosos da Independência era responsável pela aglutinação de forças políticas de tendência moderada, uma vez que esta não concordava com as idéias republicanas (...) Almejava destituir do governo da província de Mato Grosso o grupo político que há anos a dirigia, e em seu lugar colocar os liberais”.

Segundo os relatos da época, os integrantes da Sociedade dos Zelosos da Independência desejavam tomar o poder das mãos de seus adversários, e com esse objetivo planejaram uma revolta com início marcado para a madrugada do dia 30 de maio de 1834. Ao tomar conhecimento desse plano, o Conselho de Estado pretendeu abortar o movimento elegendo, em 27 de maio, o também conselheiro João Poupino Caldas, tenente-coronel ligado aos Zelosos da Independência, para o cargo de presidente da província, mas essa providência não surtiu nenhum resultado prático.
Porque, na versão do historiador Estevão de Mendonça, em sua obra Datas Mato-grossenses, por volta das onze horas da noite do dia 30 de maio, data acertada antecipadamente para a eclosão da rebelião liberal, “se ouviu tocar rebate de cornetas e caixas de guerra, tiros de arcabuzes, e gritos de morram os bicudos. Na escuridão da noite apenas se ouviam barulhos de machados e alavancas arrombando as portas dos negociantes adotivos ali residentes”. “Bicudo” era o apelido depreciativo que os cuiabanos davam aos portugueses que moravam na cidade, e sua origem tem relação com Manuel de Campos Bicudo, bandeirante paulista e primeiro homem branco a chegar à região do estado de Mato Grosso. Foi ele quem fundou o arraial de São Gonçalo Beira Rio, por volta de 1673, no lugar onde atualmente se ergue a cidade de Cuiabá.
Os registros revelam que nesta noite, no Campo D’Ourique, onde agora está instalada a Assembléia Legislativa estadual, uma multidão revoltada ali se reuniu, e dali, incentivada pelo toque dos tambores e cornetas da Guarda Nacional, partiu pela rua Joaquim Murtinho em direção ao Palácio da Instrução, sede do Quartel dos Municipais, aos gritos de “Morram os bicudos pés de chumbo”, percorrendo depois outras ruas de Cuiabá disposta a atacar, ferir e até mesmo matar os portugueses encontrados pelo caminho. Segundo consta, mais de quatrocentos portugueses e estrangeiros, entre eles crianças, foram massacrados pelo populacho ensandecido.
O padre José de Moura e Silva, em “Aspectos Históricos de Mato Grosso”, relata que “O presidente Poupino Caldas, tentou conter a fúria da população enraivecida, mas nada conseguiu, a não ser que mais tarde o taxassem de traidor, por pertencer ao grupo liberal. Da mesma forma, os exaltados cuiabanos não ouviram os apelos do bispo D. José Antônio dos Reis, que de crucifixo na mão implorava o término da carnificina, mas de nada adiantaram seus apelos (...). Segundo Paulo Pitaluga Costa e Silva, em Breve História de Mato Grosso e Seus Municípios, ‘O principal chefe desse movimento nativista em Mato Grosso foi o médico cirurgião e botânico Antônio Luís Patrício da Silva Manso, na época cognominado ‘O Tigre de Cuiabá’. Antônio Pedro de Alencastro assumiu o governo da Província a 29 de setembro de 1834 e promoveu processo contra os criminosos da sedição mato-grossense”.
Em 04 de novembro de 1834, os jornais de Cuiabá informavam que “Atendendo à representação do Promotor Público Joaquim Fernandes Coelho, o Juízo de Paz do 1º Distrito iniciou ontem o Auto-sumário Crime para apurar as circunstâncias da rebelião armada que, na madrugada do dia 31 de maio, tomou de assalto prédios públicos, arrombou e saqueou casas comerciais e matou pelo menos 40 estrangeiros em Cuiabá. Antes mesmo da sentença, já estão presos no calabouço do Quartel da Guarda Municipal os cinco acusados pela Promotoria de liderar o movimento. São eles: o fazendeiro José Alves Ribeiro, o capitão da Guarda Nacional José Jacinto de Carvalho, o bacharel Pascoal Domingues de Miranda, o professor de filosofia Braz Pereira Mendes e o vereador Bento Franco de Camargo. As prisões teriam sido feitas ‘à ordem da regência e pelo povo em massa’, conforme justificou o novo Presidente da Província, Antônio Pedro de Alencastro. Os cinco ‘cabeças do movimento’, como diz a denúncia da Promotoria Pública, serão encaminhados para o Rio de Janeiro e julgados pelo Superior Tribunal de Justiça”.
Sobre esse julgamento, a professora Elizabeth Madureira Siqueira esclarece que o Auto-sumário Crime puniu apenas soldados e populares que participaram dos arrombamentos e saques. Dos cinco líderes presos e enviados ao Rio de Janeiro, José Alves Ribeiro e José Jacinto de Carvalho, retornaram inocentados a Mato Grosso. Os outros três foram soltos, sendo que Pascoal Domingues de Miranda ficou na cidade carioca.

Direitos autorais: FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=945851

Os Tratados de Limites

terça-feira, 28 de outubro de 2008 · 0 comentários


Tratado de Tordesilhas
Fonte da imagem: Roberto Massaru Watanabe



















Os Tratados de Limites




Tratado de Madrid

O Tratado de Tordesilhas – oficialmente demarcador das fronteiras entre Espanha e Portugal – nunca conseguiu ser totalmente respeitado, sendo portanto substituído pelo Tratado de Madrid, assinado na capital espanhola a 13 de janeiro de 1750, entre os reis de Portugal e da Espanha.
Este tratado tornou-se responsável por determinar os limites entre as duas colônias sul-americanas, acabando definitivamente com as contendas.
O Tratado de Madrid foi preparado cuidadosamente a partir do Mapa das Cortes, favorecendo as colônias portuguesas em prejuízo aos direitos dos espanhóis. Os diplomatas portugueses eram muito espertos e basearam-se no princípio do “Uti Possidetis” – “como possuis, continuais a possuir” para definir como se daria a divisão territorial, trabalhando também para a vitória portuguesa. Pelo Uti Possidetis a terra deveria ser ocupada por aqueles já se encontravam estabelecidos nela, com residência fixa e trabalho nas redondezas. Desta forma os portugueses se firmaram no grande território que hoje forma o Brasil.
O Tratado de Madrid estabeleceu que o limite da fronteira entre os domínios espanhóis e portugueses se daria a partir do ponto mediano entre a embocadura do Rio Madeira e a foz do Rio Mamoré, sempre seguindo em linha reta até visualizar a margem do Rio Javari. Surgia uma linha imaginária que futuramente geraria muitas discórdias.
Por este tratado Portugal foi obrigado a ceder a Colônia do Sacramento ao estuário da Prata, mas em compensação recebeu os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o atual Mato Grosso do Sul, a gigantesca área que ficava no alto Paraguai e mais algumas extensões de terras abandonadas, também adquiridas através de negociações.
O tratado estabeleceu que a paz sempre reinaria entre as colônias, até quando as capitais das províncias se encontrassem em guerra; a Capital brasileira foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro; a posse da Amazônia foi cedida para Portugal e o Rio Uruguai foi escolhido como fronteira entre o Brasil e a Argentina.
O Tratado de Madrid foi importante para o Brasil porque definiu aproximadamente o contorno geográfico do Brasil hoje.




Catedral e Marco do Jauru (Cáceres)













UM IMPORTANTE MARCO NA FRONTEIRA (Marco do Jauru)


Feito em Lisboa, de pedra de lioz, o marco foi trazido desmontado ao Brasil, sendo montado e plantado à margem do Rio Jauru, em 18 de janeiro de 1754 pelo primeiro Governador e Capitão-General da Capitania de Mato Grosso, Dom Antônio Rolim de Moura Tavares. A peça arquitetônica, seccionada em duas partes, portuguesa e espanhola, foi erigida com a finalidade de demarcar a fronteira territorial, estabelecida pelo Tratado de Madri, entre os domínios espanhóis e portugueses na América do Sul, e selou o fim das disputas territorias entre os dois países na América. Em 2 de fevereiro de 1883, pela iniciativa do então Tenente-Coronel Antônio Maria Coelho, o marco foi levado para o Largo da Matriz, hoje Praça Barão do Rio Branco, em frente à Catedral de São Luís, em Cáceres. O Marco do Jauru é conhecido como o símbolo da soberania brasileira na fronteira oeste. É justamente dessa região que vem a maior parte do 6º contingente do batalhão do Exército Brasileiro presente na Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti, apelidado de "Força Jauru", em homenagem ao marco.

Tratado de El Pardo

O Tratado de El Pardo (1761) tornou nulas todas as disposições e feitos decorrentes do Tratado de Madrid, que havia falhado em promover a paz nas colônias espanhola e portuguesa.

Tratado de Santo Ildefonso

O famoso Tratado de Santo Ildefonso ou Tratado dos Limites, assinado já na madrugada de 1 de Outubro de 1777, entre Portugal e a Espanha, define que esta última ficaria com a Colónia de Sacramento e a região dos Sete Povos das Missões, mas devolveria à Coroa Portuguesa as terras dos atuais Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com este tratado, ficariam resolvidas as questões criadas pelo Tratado de Madrid, de 1750.

Fonte:
ELizabeth Madureira Siqueira- História de Mato Grosso-Da ancestralidade aos dias atuais

Artigos da Era Vargas

quarta-feira, 1 de outubro de 2008 · 2 comentários

09 DE MARÇO: 17ª ROMARIA DOS MÁRTIRES

domingo, 9 de março de 2008 · 1 comentários

A América Latina, desde o século XVI, com a invasão dos europeus, vive em constantes conflitos, ora pela falta de liberdade econômica, ora pela opressão de governos tiranos. Muitas pessoas foram subjugadas pelo sistema e muitas vezes foram desrespeitadas. Outras pessoas foram violentadas no mais fundo do seu âmago, com a imposição de uma nova cultura, subtraindo-lhes antigos costumes, crenças, valores etc. Ou ainda, o sistema lhes impôs guerras, como a Guerra do Paraguai, na qual muitos perderam suas vidas, deixando de lado seus sonhos. Guerras que muitas vezes beneficiaram e beneficiam apenas aos governantes e as elites econômicas. Na América Latina, desde o início de sua dita “colonização” (processo que ainda hoje é avaliado como em andamento), o martírio se tornou um grito tanto pela vida quanto pela fé. Nesse quadro, a Igreja Católica tem buscado manter sempre viva a memória de mártires que deram suas vidas na tentativa de mudar a realidade das pessoas menos favorecidas da sociedade.
É neste contexto que a Diocese de Rondonópolis assumiu, a partir de um mil novecentos e noventa e dois, a Romaria dos Mártires, que vem constituindo-se como mais uma forma de manifestação pública da fé religiosa. Mais do que uma manifestação de fé, a Romaria dos Mártires também agrega lutas sociais contra as diferenças e desigualdades e todo tipo de exclusão social.
A cada ano surgem novos conflitos no campo, entre os latifundiários e os excluídos da terra. E é nesses processos, por exemplo, que ganham visibilidade essas pessoas - os mártires - religiosas ou não, que arriscam suas vidas, confrontando, denunciando, organizando etc., e assim buscando sanar ou ao menos amenizar esses conflitos. Muitas dessas pessoas são perseguidas, torturadas, assassinadas, o que se apresenta como uma tentativa não só de conter a luta, mas de desaconselhar a tantos outros que possam querer dela fazer parte. Nesse sentido, percebe-se que os temas que têm norteado ao longo dos anos a Romaria dos Mártires, vêm sempre buscando dar um enfoque maior às questões que procuram fortalecer as lutas sociais e políticas.
Assim, pode-se dizer que a Romaria dos Mártires tem como uma de suas finalidades rememorar às pessoas que dela participam, aqueles (as) que morreram em defesa da vida de outros; lembrar que Mártires são aqueles que não desistem da luta por uma vida melhor para seus semelhantes, mesmo que isso signifique morrer por esse ideal, como num dos cantos da Romaria: “ Acorda América, chegou a hora de levantar/ o sangue dos mártires, fez a semente se espalhar”.
A Igreja Católica tem valorizado a presença dos mártires na construção de sua própria história, o que é visível na Diocese de Rondonópolis, através das paróquias que a compõem, que buscam também avivar por meio da Romaria dos Mártires a memória dos seus fiéis, pois um povo sem memória é um povo sem identidade, sem resistência e sem história. É uma maneira de não deixar cair no esquecimento esses que tanto merecem homenagem e respeito pelo desempenho que tiveram em lutas coletivas por justiça social. Quem sabe assim, por meio dos exemplos deixados pelos Mártires ali homenageados, mantenha-se acesa a chama da solidariedade entre as pessoas, que estão cada vez mais distantes umas das outras, cada uma vivendo por si, sem preocupar-se com o seu semelhante.
Parabéns Igreja, parabéns povo de Deus pela coragem de anunciar o Reino de Deus, por meio da memória da vida de mulheres e de homens que acreditaram e lutaram por uma sociedade mais justa.
Maria Aparecida Gonçalves
Graduada em História pela UFMT/CUR
Artigo publicado no Jornal A Tribuna no dia 06/03/2008

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