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Fundação de Roma: A Lenda

ANGOLA

quarta-feira, 27 de julho de 2011 · 0 comentários

Descolonização da Ásia e da África

quarta-feira, 30 de março de 2011 · 1 comentários

A descolonização da Ásia & O fim do domínio inglês na Índia


A Revolta dos Cípaios, 1858, colocou a Índia na esfera do domínio britânico, que culminou com a sagração da rainha Vitória corno imperatriz dos indianos.

A dominação da Índia não foi uma tarefa difícil, pois a ausência de um governo centralizado, a diversidade de religiões e a existência de uma sociedade de castas facilitaram a penetração inglesa.

A partir da década de 1920, Mahatma Gandhi e Jawarharlal Nerhu, através do Partido do Congresso, com apoio da burguesia, passaram a liderar o movimento de independência da Índia.

Gandhi pregava a desobediência civil e a não-violência como meios de rejeição à dominação inglesa, transformando-se na principal figura do movimento indiano pela independência.

A perda do poder econômico e militar pela Inglaterra após a Segunda Guerra Mundial retirou-lhe as condições para continuar a dominação na Índia.

Em 1947, os ingleses reconheceram a independência indiana, que levou — em função das rivalidades religiosas — à formação da União Indiana, governada por Nerhu, do Partido do Congresso, com maioria hinduísta, e do Paquistão (Ocidental e Oriental), governado por Ali Jinnah, da Liga Muçulmana, com maioria islamita. O Ceilão também se tornava independente, passando a ilha a se denominar Sri-Lanka, com maioria budista.

A independência da Índia resultava de um longo processo de lutas nacionalistas, permeadas pelas divergências religiosas entre hinduístas e muçulmanos, o que levou, em 1949, ao assassinato de Gandhi.

O Paquistão Oriental, em 1971, sob liderança da Liga Auami, separa-se do Paquistão Ocidental, constituindo a República de Bangladesh.


A descolonização da África

No início do século XX, 90,4% do território africano estava sob domínio do colonialismo europeu. Apenas três Estados eram independentes: África do Sul, Libéria e Etiópia.

A descolonização da África ocorreu de forma veloz. Entre 1957 e 1962, 29 países tornaram-se independentes de suas metrópoles européias.


A independência do Egito
O Egito estava sob domínio francês até 1881, quando a Inglaterra assumiu o controle do território. Em 1914, tornou-se um protetorado inglês. (Protetorados eram áreas de dominação onde os colonos gozavam de autonomia de decisões; a metrópole apenas supervisionava por meio de um representante.)
O fim do domínio colonial inglês cessou em 1936. Porém, a Inglaterra não abriu mão do controle que exercia desde 1875 sobre o Canal de Suez.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Egito foi palco de manobras militares alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel (Afrikakorps). Os ingleses, em 1942, expulsaram as tropas do Eixo e impuseram o rei Faruk no poder.
Em 1952, o general Naguib, com o apoio do Exército, depôs o rei e proclamou a República, assumindo o poder.
Em 1954, o coronel Gamal Abdel Nasser substituiu o general Naguib, mantendo-se no poder até 1970.

A independência do Congo
Em 1867, a Bélgica funda a Sociedade Internacional para a Exploração e Civilização da África, iniciando a ocupação do Congo, que se tornou possessão belga a partir de 1885, e colônia em 1908.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, os movimentos de emancipação se generalizavam na África e, em 1960, na Conferência de Bruxelas, a Bélgica concede a independência do Congo, que passa a constituir a República do Congo.
O governo passou a ser exercido pelo presidente Joseph Kasavubu e pelo primeiro-ministro Patrice Lumumba.
Em seguida à independência do país, na província de Catanga, ocorre um movimento separatista liderado pelo governador Moise Tchombe, que, apesar de proclamar a independência da província, não obteve o reconhecimento internacional. Desencadeou-se, então, uma guerra civil. Catanga recebia apoio de grupos internacionais interessados nos minérios da região e de tropas mercenárias belgas.
Em setembro de 1960, o presidente Kasavubu demite o primeiro-ministro Patrice Lumumba, e Joseph Ileo assume o Gabinete. Lumumba não aceitou sua demissão e o Congo passou a ter dois governos. Então, o coronel Mobutu dissolveu os Gabinetes. Kasavubu foi preservado. Lumumba foi aprisionado e levado para Catanga, onde foi assassinado, em 1961. Sua morte provocou violentas manifestações dentro e fora do Congo. Internamente, a crise política se alastrava, o Congo se fragmentava, e as lutas dividiam a população.
Em 1962, as forças da ONU intervieram no Congo para impedir a secessão de Catanga. Moise Tchombe foi para o exílio.
Assumia o governo Cyrille Adula em meio aos movimentos liderados pelos partidários de Lumumba (morto em 1961), que se tornaria o símbolo da luta congolesa.
Os partidários de Lumumba dominavam boa parte do país, em 1964, quando Adula convida Moise Tchombe (recém-chegado do exílio) para auxiliá-los e vencer os rebeldes. Adula renuncia e Tchombe assume o cargo de primeiro-ministro.
A guerrilha aumentava e, então, os EUA intensificaram a ajuda militar — que já vinha concedendo — ao governo de Tchombe.
Os partidários de Lumumba, em resposta, transformaram 60 norte-americanos e 800 belgas em reféns da guerrilha, o levou a Bélgica a preparar uma ação de resgate, provocando o fuzilamento de 60 reféns pelos guerrilheiros; os demais foram libertados.
O presidente Kasavubu, em 1965, demitiu o primeiro-ministro Tchombe e logo em seguida o general Mobutu dá um golpe e assume a presidência do país, que a partir de 1971, passa a se denominar República do Zaire.


O fim do Império Colonial Português

Portugal foi o pioneiro nas Grandes Navegações dos séculos XV, XVI e XVII. Em 1415, os portugueses iniciavam a conquista de novos mundos, com a tomada de Ceuta, no Norte da África.
A crise na qual mergulhou o Império Português, no século XVII, levou à perda de grande parte de suas colônias para os espanhóis, holandeses e ingleses.
Durante o neocolonialismo, na segunda metade do século XIX, as possessões portuguesas ficaram reduzidas a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e aos arquipélagos de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.

Angola
Em 1956, foi fundado o Movimento Popular pela Libertação da Angola, MPLA, que em 1961 desencadeou as lutas pela independência, sob a liderança do poeta Agostinho Neto.
Outros dois movimentos surgiram dentro do processo de lutas de independência: a União Nacional para a Independência Total de Angola, Unita, e a Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA.
Em 1974, foi assinado o Acordo de Alvor, segundo o qual os portugueses reconheceriam a independência de Angola em 1975, devendo ser formado um governo de transição composto pelo MPLA, Unita e FNLA.
Os três grupos iniciaram entre si uma série de divergências que culminaram com uma guerra civil e a invasão do país por tropas do Zaire e da África do Sul (apoiadas pela FNLA e Unita, respectivamente), que recebiam ajuda militar norte-americana.
O MPLA, liderado por Agostinho Neto, solicitou então ajuda de Cuba e, em 1976, derrotou as forças da Unita e da FNLA.

Moçambique
Em 1962, foi criada a Frente de Libertação de Moçambique, Frelimo, por Eduardo Mondlane, que iniciou as lutas pela independência.
Samora Machel, em 1969, assumiu a direção do movimento, que passou a disputar, através da guerrilha, o controle do território.
Em 1975, Portugal reconheceu a independência da República Popular de Moçambique.

Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe
Amilcar Cabral, em 1956, fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, PAIGC, que desencadeia a luta pela independência a partir de 1961.
Em 1973, mais da metade do território da Guiné estava sob domínio do PAIGC. Nesse ano, Amilcar Cabral é assassinado e assume Luís Cabral a presidência da recém- proclamada República Democrática Antiimperialista e Anticolonialista da Guiné.
Em 1974, o governo português reconhece a independência da Guiné.
Em 1975, Cabo Verde tem sua independência reconhecida por Portugal.
São Tomé e Príncipe, no mesmo ano que Cabo Verde, tem sua independência reconhecida por Portugal.
Em 25 de abril de 1974, ocorreu a Revolução dos Cravos em Portugal, marcando a ascensão de um regime democrático que substituiu o governo fascista do presidente Américo Tomás e do primeiro-ministro Marcelo Caetano, já enfraquecido com a morte de Oliveira Salazar, que governou Portugal entre 1932 e 1970, quando morreu.
O novo governo empossado em 1974 reconhecia no ano seguinte as independências das colônias, o que significou a desintegração do Império Colonial Português.

Conseqüências da descolonização afro-asiática

A principal conseqüência do processo de descolonização afro-asiática foi a criação de um novo bloco de países que juntamente com a América Latina passaram a compor o Terceiro Mundo.
Essa denominação deve-se ao fato de que os países originados a partir desses processos de independência acabaram por manter vínculos de dependência econômica com os países capitalistas desenvolvidos (Primeiro Mundo) ou com países socialistas desenvolvidos (Segundo Mundo).

PEQUI: Um fruto que se come e que cura!

sábado, 25 de dezembro de 2010 · 0 comentários

PEQUI: Um fruto que se come e que cura!

Amigos recantistas, na falta de tempo para os textos poéticos, já que estou preparando uma revista sobre sobre meio-ambiente ainda para este dia 05, achei interessante mandar para vocês esta matéria que será nela editada...

Abraços e segunda ou terça mando a redação sobre o que será o "Parque Arqueológico e Natural da Serra de Monte Alto", cuja Unidade de Conservação Auto-Sustentável deverei fazer parte como membro da ONG "Proteção e Revitalização Integrada e Sustentável da Srra de Monte Alto - PRISMA" - Vocês estão sabendo disto antes do Jornal Nacional!!! (risos)

No parque temos inscriçoes rupestres de uma população megalítica que ali habitou, calculadamente entre cinco e dois e meio mil anos passados, que coonstruiu um surpeendente alinhamento de 365 pedras, como se fosse um calendário (?), coisas que ainda estão em investigação, uma casa de pedras, um curral de pedras, e fora do parque, já no cerrado de baixo existe um altar de pedra da mesma cultura. Estou separando fotos e organizando um album em PPS leve, para enviar a vocês via e-mail, mas só no final da próxima semana, ok?

Por enquanto vai o meu trabalho sobre Pequi e Pequizeiros...

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PEQUI: UM FRUTO QUE SE COME, SE BEBE E COM ELE SE CURA!

Conhecido “por suas múltiplas utilidades, os pequizeiros estão “chorando” nas carvoeiras dos cerrados”.

Texto: Seu Pedro / Pedro Diedrichs
Jornalista DRT/BA 398

* Matéria ATUALIZADA, editada originalmente na revista Integração (Bahia) edição 31 – fevereiro de 1997...

Prevista edição para edição do jornal Vanguarda (Bahia) edição 127 - 15 junho de 2007.

“Não há comprovação científica da origem dos pequizeiros, mas sabe-se que estão presentes nas margens do rio Araguaia e nas regiões das gerais da Bahia, Goiás e Minas Gerais, havendo uma máxima que une as regiões: Foi Deus que presenteou ao homem com a árvore da vida!”
Os pequizeiros, como tantas outras árvores nativas, estão sendo queimados nos fornos de produção de carvão, e as toras quando liberam suas resinas emitem o som de choro em milhares de carvoeiras escondidas no cerrados brasileiros.
Cada árvore que tomba é uma súplica para que não seja extintas as espécies, no caso do pequizeiro; árvore da família botânica das cariocariáceais – do tupy – piki’a (caryocar brasiliense).
Tão úteis ao sertanejo, dos pequizeiros saem o alimentos, bebidas, remédios caseiros, sabão artesanal, corantes para tecidos, iscas para peixes e tortas para alimentação do gado.
Em linguagem indígena Pequi significa Casca Espinhenta. Sua reprodução se torna difícil pela dificuldade da “quebra da dormência”, ou seja, o rompimento do caroço, ai a germinação pode acontecer entre um até dezoito meses.
Ao menos que homens de boa-vontade se unam e escutem o “choro” dos pequizeiros, a cada safra existirão menos árvores, porque em forma de carvão vegetal seguem para os crematórios das usinas de ferro gusa e outros metais, em Minas Gerais.

DO ARAGUAIA PARA O CERRADO E MUNDO!
De acordo com estudos e depoimentos os pequizeiros são nativos das margens do Rio Araguaia, e teriam sido levados por silvícolas ou homens rudes do passado, que migraram para os cerrados da Bahia (neste caso a Serra de Monte Alto), Goiás (o que hoje incluí o Distrito Federal) e Minas Gerais.
O apelo para preservação e difusão das qualidades do Pequi já atravessaram divisas geográficas nacionais e até o Oceano Atlântico, chegando à Inglaterra em forma de tese de doutorado na Universidade de Oxford.
Mas, no Sertão, justamente onde os pequizeiros deveriam estar preservados e protegidos pelos habitantes locais, a maioria das pessoas se fazem de surda e os destroem, ou permitem destruí-los impiedosamente.

A GRANDESA DO PEQUI
A Árvore do Pequi atinge em média 3,5 de diâmetro de copa, quarenta centímetros de espessura em seu troco, e produzindo um pequizeiro entre quinhentos e três mil frutos a cada safra, equivalente a quinze sacas de quarenta quilos cada.
Mas a grandeza do pequi não está em seus números, mas em suas qualidades. Conhecido como “carne dos pobres”, ou “maná do cerrado”, o pequi está anualmente presente nas feiras sertanejas nos períodos de novembro a fevereiro e embora aos vendedores custe apenas ir as Gerais e colher os frutos no chão, o preço da dúzia de caroço gira em torno de R$ 2,00, o que não chega a desencantar os que apreciam a sua culinária.

LEI DE PRESERVAÇÃO:
Existe no Brasil uma Lei Federal de proteção e preservação dos pequizeiros, mas ela se restringe ao Parque Nacional do Pequizeiros, em Planaltina, Distrito Federal, no entanto é requerida por ONGs ambientalistas a proteção da Lei para ás árvores de outros sítios, com isso criando uma punição mais dura aos que se utilizarem dos pequizeiros para, por exemplo, produção do carvão.
Com a atuação em toda a Região do Cerrado, sediada em Montes Claros, MG, existiu primeiramente a Associação de Proteção do Pequi, reconhecida pela ONU, que tem como sucessora a Associação Protetora do Pequi, com novos estatutos e organização registrados em 2001, presidida hoje pela ambientalista Maria Beatriz Gomes de Souza. Em Goiás também há entidades de proteção ao pequizeiro.

USO NA ALIMENTAÇÃO:
A riqueza do pequi como alimento pode ser avaliada pelos seguintes tópicos; É o fruto com maior teor de Vitamina A (retinol); em Vitamina B-1 (tianina) é igual ao caju, morango, jenipapo e mamão; em Vitamina B-2 (ribeflavina) é igual a uma gema de ovo; em Teor Protéico é igual ao abacate e a banana prata; em gordura é igual ao abacate e o buriti; em açúcar comparasse a jabuticaba e a uva; em cálcio é igual ao caju, maracujá e a laranja; em ferro é igual ao tomate; em cobre é igual ao amendoim, figo e uva.
O óleo do pequi também é próprio ao uso culinário e pode substituir o dendê em no preparo de algumas iguarias. A força alimentar do pequi é tanta, que há um estudo pela Pastoral da Criança do Norte Mineiro, em que foi concluído que durante a safra do pequi, a desnutrição infantil no Cerrado chega a ser reduzida em mais de cinqüenta por cento. Ocasião em que às crianças ficam mais resistentes às doenças típicas da região.
Para que o pequi chegue à mesa do sertanejo, como alimento rico, em todos os dias do ano, há uma proposta para que sua massa seja granulada a partir de cozimento, raspagem da massa (polpa) amarelada, secagem em estufa, transforma-lhe em farinha acrescentada com anti-mofo ou tanino natural (a partir da banana), juntar a uma massa liga de amido de milho e óleo do pequi, passar em uma máquina de granular, (artesanalmente em um moedor de carne esfera de furos finos), secar e embalar á vácuo*.
Experiência feita artesanalmente pelo jornalista Seu Pedro (Pedro Diedrichs) em um período de dois anos, armazenado em lugar a sombra longe de umidade ou calor excessivo, havia massa para uso culinário com perfeito sabor. Há que armazene os caroços de pequi com a polpa em congelador, mas com risco de perda do sabor “morto pelo congelamento”.

NA MEDICINA POPULAR:
Na medicina caseira o pequi é utilizado na preparação de emulsões para tratamento de doenças respiratórias e definhamento do organismo, mas ainda sem comprovação cientifica.
Para uso tópico com o pequi é preparado um bálsamo a ser aplicado em reumatismo, inchaços e machucaduras. Até a década de quarenta os farmacêuticos manipuladores utilizavam óleo de pequi em algumas fórmulas medicamentosas.
Das folhas do pequizeiro, após uma secagem natural ou em estufa, é preparado um chá restaurado das funções hepáticas, como também para um rápido alívio das ressacas pós-ingestão de bebidas alcoólicas. O mesmo chá, um pouco mais forte, serve para regular o fluxo menstrual da mulher.
Pontas de raízes socadas com pilão e postas em maceração (fusão) em uma solução meio a meio de água e álcool, é remédio para os rins. As raízes também servem como excelente isca para pescaria.
O uso de folhas secas de pequizeiros na defumação de alimentos, principalmente em tenras aves e peixes, os dão exótico sabor!

DELÍCIAS DA CULINÁRIA DO PEQUI:
O pequi é usado em saborosos pratos da culinária regional, bem como em outras receitas sofisticadas, a exemplo do “Lombinho de Pequi”, elaborado de uma farofa da amêndoa do pequi (a parte branca do caroço) duas partes de carne bovina e uma parte de porco magra, moídas, temperos e sal a gosto (não use pimenta do reino), e liga de ovos e farinha de rosca.
Preparo: Junte tudo em uma vasilha e manualmente misture bem, até ficar uma massa de consistente e com liga. Modele em forma de lombinho e coloque em uma assadeira untada, assando em forno moderado sempre regando com uma solução de água e óleo de pequi. Sabor exótico!
O arroz com pequi é o prato mais conhecido. Preparado de diversas maneiras o “arroz com pequi” tem uma quantidades de pratos premiados em concursos que acontecem em regiões onde sua culinária é difundida. Ver abaixo sobre uma receita premiada em segundo lugar no “6ª Festa Nacional do Pequi”, na cidade de Montes Claros, Janeiro de 1994, elaborada pelo autor deste texto, entre 33 outras inscritas.
O sertanejo cozinha os frutos diretamente na panela do arroz, entretanto para maior suavidade e aproveitamento do sabor, o fruto pode ser cosido em água separada, que após será utilizada uma parte no cozimento do arroz após ser refogado como é tradição.
Da amêndoa branca são preparados doces e paçocas puras ou associadas a outras castanhas, a exemplo o amendoim. A castanha serve como “crocante” na elaboração do sorvete de pequi. Também bolos e pasteis e pães com massa da polpa amarela de pequi agregada, são deliciosos.
Doce de leite ao qual é adicionada a massa da polpa de pequi é de bom sabor, embora exótico. O sorvete de pequi é um processo idêntico; faz-se um sorvete de baunilha acrescentado um pouco de massa amarela da polpa do pequi na hora de bater.
Os licores podem ser os tintos (amarelado) e os alvos (branco transparente), o primeiro produzido com a póla amarelada, e o segundo pela infusão (maceração) em longo período de castanhas brancas. Ambos são elaborados pela imersão em álcool de cereais (ou aguardente de boa procedência), por longo período.

RECEITA PREMIADA:
(V Concurso Nacional do Pequi / 6ª Festa Nacional do Pequi – Montes Claros, MG).

Cozinheiro: Pedro Diedrichs – Seu Pedro
Data: 28 de janeiro de 1995
Local; Restaurante Chica da Silva (Caminho do Aeroporto).
Classificação: 2º lugar / R$ 100,00
Número de concorrentes: 33

“Arroz à Seu Pedro”

Ingredientes:
02 quilos de arroz polido (não use o parbolisado)
03 dúzias de pequi;
06 ovos de ovos batidos como se fosse para omelete;
01 quilo de charque ou carne de sol magra de primeira, cortado(a) em pedaços pequenos;
500 gramas de bacon magro, em cubinhos;
500 gramas de lingüiça de porco, bem fina, cortada em tamanhos de dois de comprida;
03 cabeças de Cebola raladas;
15 dentes de Alho cortado em cubinhos;
03 folhas de manjericão amassadas;
01 molhe de cheiro-verde (salsa e cebolinha), cortados bem fininhos;
03 pimentões vermelhos cortado em cubinhos;
10 pimentas de cheiro (amarelas);
06 tomates sem semente cortados em cubos;
--- Uma colher de açúcar refinado
--- Folhas de louro;
--- Sal a gosto;
--- Azeite de oliva.

Preparo:
* O arroz deve esse lavado, escorrido e secado ao sol (reserve).
* Utiliza-se três panelas

* Em uma primeira panela se refoga o charque (ou carne de sol) com pouca água até secar, com folhas de louro e manjericão.
* No mesmo momento os pequis estão sendo cozidos em uma outra panela com uma pitada de sal e uma colher de açúcar refinado, e água que os cubra.
* Na panela grande (onde caiba toda a receita / de vinte litros mais ou menos), e onde se prepara o arroz, coloca-se um pouco de azeite de oliva, o bacon, as lingüiça, refogando-os sem água junto à cebola (que vai soltar sumo), o alho e por fim o pimentão vermelho e as pimentas de cheiro. Observe que vá secando sem queimar e que o bacon comece a virar torresminhos.
* O sal use-o mais ou menos se perceber que as carnes (bacon e o charque/carne de sol, não estão ou estão salgados).
* Com um garfo grande vá esfregando bem as pimentas de cheiro contra as paredes internas da panela. Faça isto enquanto os demais ingredientes douram.
* Junte o arroz (já bem seco) e dê-lhe uma rápida refogada, e acrescente água para cozimento, meio a meio, metade da água retirada do cozimento dos pequis, e metade de água pura. Deixe o arroz cozinhar abafado com a tampa.
* Quando faltar pouco para total cozimento (o arroz estiver inchado) acrescentasse os pequis distribuindo-se por toda a panela com uma leve mexida com um garfo grande. Logo a seguir junte os tomates espalhados pela superfície do arroz.
* Quando o arroz estiver já no ponto de apagar o fogo, vá derramando pelos cantos da panela e abafe com a tampa, eles cozinharão com o vapor.
* Ao levar a panela à mesa salpique o cheiro verde cortadinho bem fininho (como cabelos)

OBS, esta quantidade foi preparada para o concurso. Em casa faça uma divisão proporcional dos ingredientes.

TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO E PLANTIO:

Embora o Cerrado seja o eco-sistema ideal para reprodução do pequizeiro, não é descartada a possibilidade de culturas racionais coma intervenção humana, em regiões diferentes desta.
A Indústrias Nucleares do Brasil – INB tem uma bem sucedida experiência em Poços de Caldas, Minas Gerais, onde plantou em uma plataforma rochosa, transformada em parque após o descomissionamento da mina de urânio, mais de uma dezena de pequizeiros, além de outras espécies do cerrado. Para isto perfurou gigantescos buracos na rocha, que foram preenchidos com composição de terras do cerrado; terra vermelha com areia de gerais.
A tese de doutorado do engenheiro florestal Fernando Dantas de Araújo, apresentado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e posteriormente co-autor de “Plantas do nordeste Workshop Geral”, produzido para o acervo do Royal Botanic Gardens, em 1999, aborda os aspectos de étnobotânica (ciência, ligada à Botânica e à antropologia) abre-nos a idéia de que possa, em breve, ocorrer com o pequizeiro o que aconteceu com a seringueira da Amazônia, que até a bem pouco tempo e imaginava que não poderia ser reproduzida em outro eco-sistema, no entanto foi perfeitamente adaptável na Zona da Mata do Estado do Espírito Santo.
Uma outra observação recente é que os pequizeiros que normalmente frutificam no mês de novembro, com safra até início de fevereiro, dada as mudanças climáticas, nos últimos anos com menores incidências, em algumas Gerais já produzem um entre safra nos meses de junho a agosto.

REPRODUÇÃO DOS PEQUIZIROS:
Como para tudo da natureza há explicação, os pequizeiros apresentam dificuldades em sua reprodução, afinal uma safra em que uma árvore de pequi produz milhares de frutos, vamos imaginar se a suas sementes germinassem com a mesma facilidade das sementes de Cajueiro, por exemplo, as Serras Gerais estariam cobertas unicamente de pequizeiros. Assim a natureza as deu um diferente tempo de germinação e sua reprodução demanda paciência pela “quebra da dormência”.
Existem dois métodos conhecidos para a reprodução de mudas de pequizeiros em cativeiro:

MÉTODO RUDIMENTAR:
Se limpa os caroços livrando-os da polpa com o cuidado de não tirar os espinhos; coloca-se para secar por uma semana em local livre de umidade, na sobra e arejado; após põe-se os caroços por vinte e quatro horas na parte debaixo da geladeira (quem não tiver geladeira ponha-os em um tabuleiro de alumínio e em local úmido por quarenta e oito horas); semear em saco plástico a uma profundidade de cinco centímetros com a “barriga” (parte mais fina dos caroços) para cima; regar pelas manhãs sem encharcar, cobrindo-os com palha para manter a umidade. Após a germinação esperar que as mudas se firmem para depois então transplanta-las.

NÉTODO TECNICO:
Retirar a casca mantendo os caroços com a polpa tratando-os com fungicida a base de cobre e zinco; coloca-los para pubar em uma caixa de papelão bem fechadas (o que se dará entre oito a dez dias); após lavar os caroços livrando-os de toda a polpa pubada, com cuidado para não lhe retirar os espinhos; semear em sacos plásticos, ou diretamente em sementeiras, a uma profundidade de cinco centímetros com a barriga para cima, cobrir a superfície com casca de arroz ou grama, regar de maneira sistemática, replantar a muda quando tiverem atingido altura maior do que um palmo.

Observações:
Em ambos os métodos a germinação poderá ocorrer entre um até dezoito meses, com maior volume da “quebra de dormência” entre o quinto e sexto mês. Em média 55% dos caroços resultarão em mudas.
A terra para geminação deve ser vermelha composta com areia de Gerais ou de região ribeirinha. O solo para plantio definitivo deve ter as mesmas características.

CURIOSIDADES:
* As cascas do pequi servem para a produção de sabão caseiro;
* Suas cinzas com alto teor de potássio servem como corante de tecidos nas tonalidades do cinza ao preto;
* A casca também serve como torta para alimentação do gado;
* Com o óleo do pequi e talco se produz um creme contra rugas da pele;
* Diluído em solvente industrial na proporção meio a meio serve com lustra móveis protetor da madeira, afastando cupins.
É bom lembrar que pequi bom é o pequi bom é o colhido no chão...
O colhido no pé pode estar verde e sem qualidade e sabor desejados. Infelizmente muitos não obedecem esta regra, que ao final pode prejudicar o ciclo de produção do pequizeiro naquela safra.

COMENTE POR FAVOR!
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NATAL COM PEQUI!

Vem Natal na mesa do sertanejo,
é uma festa diferente e só aqui,
pode ter leitão e frango assado,
mas não faltar arroz com pequi!

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