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MÁRTIRES: HERÓIS DA VIDA REAL

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 ·

“mártires foi aquelas pessoas que morreram a favor dos irmãos, em beneficio à alguém”
(Ana Lúcia de Larceda
)


Esta unidade traz um pouco da biografia de alguns mártires, que a partir da Romaria dos Mártires tiveram uma oportunidade a mais para deixar o anonimato e se tornar um pouco mais conhecidos.
Segundo alguns textos que li, os mártires da Bíblia são aqueles que deram suas vidas em defesa da Palavra e dos ensinamentos de Jesus Cristo. Já hoje, são considerados mártires aqueles que dão suas vidas para libertar as pessoas que sofrem ao buscar dignidade de vida para si e para sua família, pois a regra geral do sistema capitalista é que quem tem, sempre terá mais, e quem não tem vai continuar sempre assim, porque não se esforça para fazer diferente. Daí, quando surgem esses homens e mulheres que têm a coragem de mostrar suas caras e exigir a partilha de bens que são socialmente produzidos, ou então que foram disponibilizados pela própria natureza, são perseguidos, liquidados, massacrados, além de outros tipos de atrocidades que acabam enfrentando. Mas isso não intimida essas pessoas de coragem, pois elas vão até o último instante de suas vidas perseguindo o seu propósito.
Na visão de setores da Igreja Católica, para terem essa força muitos dos mártires têm Deus com eles, que os guia e os conforta com suas palavras. Sabem que nunca estão sozinhos e sabem que por meio da doação de suas vidas outros, pelo exemplo deixado, darão continuidade a essa luta. E que lá no futuro, a partir do conjunto desses esforços a favor de um novo tipo de sociedade, poderá acontecer a tão esperada libertação dos oprimidos e não haverá mais opressão e exclusão.
Para a Igreja Católica, o mártir maior é Jesus Cristo. Com ele estão os mártires da fé cristã, homens e mulheres, que fazem parte do mesmo grupo ou comunidade. Estão aqueles que apóiam e se solidarizam com a mesma causa e, conscientemente, assumem na sua vida a luta em busca de uma melhor distribuição de renda e de terra para os pobres, enfim, que lutam por mais justiça social. Essas pessoas enfrentam o martírio por causa do seu engajamento explícito e concreto em projetos sociais que nem sempre - ou nunca - são de interesse das elites políticas e econômicas.
O Professor Ivanildo em entrevista que me concedeu, disse-me que em uma entrevista dada por Dom Osório W. Stoffel, este teria assim definido o que é um mártir:
Não é preciso que a pessoa perca sua vida numa luta específica para ser um mártir. A mãe que tem um bebê de colo e por ele faz o melhor de sua vida, é uma mártir [mas] nem toda mãe é uma mártir, mas uma mãe que não se alimenta por alguns dias e ainda assim consegue dar mamar para o seu filho, é uma mártir.
A seguir, elenco os mártires que vêm sendo lembrados e reverenciados durante a realização da Romaria dos Mártires, nos vários anos de sua história aqui em Rondonópolis – MT.

PADRE JOÃO BOSCO PENIDO BURNIER

Nasceu no dia onze de junho, de hum mil novecentos e dezessete (1917), em Juiz de Fora, MG. Missionário, ele atuou entre os índios na Prelazia de Diamantino-MT. Foi morto no dia dez de outubro, de hum mil novecentos e setenta e seis (1976), quando estava com Dom Pedro Casaldáliga, na cidade de Ribeirão Bonito, perto de Barra do Garças. Eles foram socorrer duas mulheres camponesas, uma delas grávida, que estavam sendo torturadas na delegacia. Diz-se que os gritos delas eram ouvidos por toda a cidade.
Quando o Pe. João Bosco foi interceder por elas, foi agredido, levando uma coronhada e um tiro fatal dado por um policial.
Pe. João Bosco agonizou por muitas horas, oferecendo a sua vida pelos índios e pelo povo. Invocando a Jesus, ele teria dito a Dom Pedro: “Dom Pedro acabamos nossa tarefa”.

MARGARIDA MARIA ALVES

Nasceu em cinco de agosto, de hum mil novecentos e quarenta e três (1943), em Alagoa Grande, na Paraíba. Foi a filha mais nova de nove irmãos. No entanto, isso não foi impedimento para que fosse uma das primeiras mulheres a lutar pelos direitos daqueles que até hoje trabalham na terra. O contato permanente com o setor latifundiário, que começou desde muito cedo, devido à necessidade da manutenção da família, estimulou seus desejos para lutar pelo trabalhador rural. Pelo fato de ser católica, Margarida teve uma grande influência do Padre Geraldo, para ingressar no Sindicato Rural de Alagoa Grande, na Paraíba. Caracterizada pela constância e disposição do trabalho, chegou a ser tesoureira do mesmo e, em hum mil novecentos e setenta e três (1973), foi eleita presidenta, sucessivamente, até mil novecentos e oitenta e dois (1982).
A sindicalista lutava pela defesa dos direitos do homem do campo; pelo décimo terceiro salário; registro em carteira; jornada de oito horas e férias obrigatórias. Foi uma das fundadoras do Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, cuja finalidade é, até hoje, contribuir no processo de construção de um modelo de desenvolvimento rural e urbano sustentável, a partir do fortalecimento da agricultura familiar. Durante seus doze anos dentro do Sindicato foram movidas mais de seiscentas ações trabalhistas contra os usineiros e senhores de engenho da região da Paraíba.
Em seus anos de luta, nunca se registrou, na justiça, uma perda de alguma questão do trabalho a favor do trabalhador rural. A sua luta era em prol dos trabalhadores, motivo pelo qual sofreu várias ameaças e atentados à sua integridade física. Como resultado de sua liderança, aproximadamente setenta e três reclamações trabalhistas contra engenhos e contra a Usina Tanques foram movidas, o que, no período ditatorial, produziu uma forte repercussão e atraiu o ódio de latifundiários locais, que chegaram a ameaçá-la e intimidá-la. Margarida, com sua personalidade forte e incansável, não se deixou abater por esses efeitos, pelo contrário, tornava-os públicos e fazia questão de respondê-los.
Margarida morreu assassinada, em doze de agosto, de hum mil novecentos e oitenta e três (1983), defendendo os ideais e direitos dos trabalhadores rurais. Para ela a vida tinha um só objetivo, e a frase que sempre fará referência a ela diz: "É melhor morrer na luta do que morrer de fome". Tinha quarenta 40 anos de idade, leiga e foi Presidente de Sindicato dos Trabalhadores, membro da Comissão Pastoral da Terra – CPT, da Diocese de Guarabira na Paraíba.
Enquanto brincava com seu filho, o assassino lhe apareceu na frente e disparou-lhe no rosto uma carga de pregos e chumbo grosso. Severino Cassimiro, seu esposo, que estava a poucos metros, assistiu petrificado a tragédia. Quando avisada de que sua vida corria perigo, ela simplesmente respondia: “Da luta eu não fujo”.

SANTOS DIAS DA SILVA

Nasceu em vinte e dois de fevereiro, de hum mil novecentos e quarenta e dois, na fazenda Paraíso, município de Terra Roxa, no Estado de São Paulo.
Seus pais, Jesus Dias da Silva e Laura Amâncio Vieira, tinham mais sete filhos, além de Santos, o primeiro braço no potencial de trabalho da família. Durante quarenta anos sua família trabalhou como meeira em diversas fazendas na mesma região.
Católico, desde a adolescência participava das atividades religiosas em sua terra natal, entre elas a Legião de Maria. A movimentação social da década de 1960 influenciou sua atitude e de muitos outros trabalhadores rurais. Entre hum mil novecentos e sessenta e hum mil novecentos e setenta, junto com outros empregados da Fazenda Guanabara, participou de um movimento por melhores condições de trabalho e salário. Por isso, sua família foi expulsa da colônia em que morava e teve de morar na cidade, numa casa alugada.
Os pais e os irmãos continuaram a trabalhar na roça, como bóias-frias. Santo resolveu procurar outras oportunidades e foi morar em Santo Amaro, na região sul da capital de São Paulo, área de grande concentração de indústrias. Ali, conseguiu trabalho como ajudante geral na Metal Leve, empresa de componentes metalúrgicos. Participou também das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, das quais foi um esteio propagador
No primeiro dia da paralisação, ocorrida em vinte e oito de outubro, de hum mil novecentos e setenta e nove (1997), as subsedes do Sindicato, abertas para abrigar os comandos de greve, foram invadidas pela Polícia Militar, que prendeu mais de cento e trinta pessoas. Sem o apoio do sindicato e com a intensa repressão policial sobre sua ação, os metalúrgicos passaram a se reunir na Capela do Socorro, sendo a Zona Sul a região de maior concentração da categoria. No dia trinta, Santo Dias, como parte do comando de greve, saiu da Capela do Socorro, para engrossar um piquete na frente da fábrica Sylvânia e discutir com os operários que entravam no turno das quatorze horas.
No dia trinta de outubro, de hum mil novecentos e setenta e nove (1997), viaturas da PM chegaram, e Santo Dias tentou dialogar com os policiais para libertar companheiros presos. A polícia agiu com brutalidade e o PM atirou em Santo Dias pelas costas. Ele foi levado pelos policiais para o Pronto Socorro de Santo Amaro, mas já estava morto. O corpo de Santo Dias só não “desapareceu” por conta da coragem de Ana Maria, sua esposa. Ela entrou no carro que transportava seu corpo para o Instituto Médico Legal. Apesar de abalada emocionalmente e pressionada pelos policiais, a descer, não cedeu.
Divulgada a notícia de sua morte pelos vários meios de comunicação, seu corpo seguiu para o velório na Igreja da Consolação. No dia trinta e um de outubro, trinta mil pessoas saíram às ruas da capital para acompanhar o enterro e protestar contra a morte do líder operário, que lutava pelo livre direito de associação sindical e de greve, e contra a ditadura.

SILVIA MARIBEL ARRIOLA

Mulher de sorriso longo, religiosa, salvadorenha de trinta anos, era pequena, de aparência frágil, mas forte quando se tratava de encontrar uma solução, ainda que arriscada, em situações perigosas.
Ela morreu em um acampamento destruído pela Guarda Nacional, ao Oeste de San Salvador.
Esta mulher salvadorenha, juntamente com outras companheiras, tornou-se religiosa do povo a serviço das maiorias pobres do seu país, uma vocação que abraçou com muito amor e levou até às últimas conseqüências.

NESTOR PAZ ZAMORA

Filho de um general boliviano, Nestor ingressou num seminário e estudou teologia. Desde cedo, ligou-se às CEBs. Mais tarde, como estudante de medicina, incorporou-se à Guerrilha de Teoponte (cidade de Teoponte), na Bolívia.
A Bolívia é um país essencialmente cristão, em que nem todos estão satisfeitos com a simples participação em cultos. Muitos se engajam em lutas por transformação social e possibilitam mudanças históricas.
Nestor foi um militante da Igreja da Libertação na Bolívia. Toda a sua vivência de cristão militante foi a favor de seu povo, lutando por uma terra nova, onde o amor fosse a lei fundamental. Morreu de fome, no dia oito de outubro, de mil novecentos e setenta (1970).

TITO ALENCAR LIMA

Nascido em Fortaleza – CE, no dia quatorze setembro, de hum mil novecentos e quarenta e cinco (1940), filho de Ildefonso Rodrigues de Lima e Laura Alencar Lima.
Desejando uma vivência evangélica mais radical e a serviço dos demais, escolheu a ordem dominicana para nela consagrar-se como religioso.
Estudou em Fortaleza com os padres jesuítas. Foi dirigente regional e nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica). Em hum mil novecentos e sessenta e cinco (1965), ingressou na Ordem dos Dominicanos, sendo ordenado sacerdote em mil novecentos e sessenta e sete (1967); e também foi aluno de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP).
Militante da Ação Estudantil Católica, foi seu coordenador para o Nordeste. Foi preso em hum mil novecentos e sessenta e oito (1968), sob a acusação de ter alugado o sítio onde se realizou o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em lbiúna - SP.
Foi preso novamente em quatro de novembro, de hum mil novecentos e sessenta e nove (1969), em companhia de outros padres dominicanos, acusados de terem ligações com a Ação Libertadora Nacional (ALN), e Carlos Marighela.
Frei Tito foi torturado durante quarenta dias pela equipe do delegado Sérgio Fleury, e transferido depois para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu até dia dezessete de dezembro. Nesse dia, foi levado para a sede da Operação Bandeirantes - Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa (DOI-CODI/SP), quando o Capitão Maurício Lopes Lima lhe disse: "Agora você vai conhecer a sucursal do inferno".
E foi o que ocorreu. Torturado durante dois dias, pendurado no pau-de-arara, recebendo choques elétricos na cabeça, órgãos genitais, nos pés, mãos, ouvidos, com socos, pauladas, "telefones", palmatórias, "corredor polonês", "cadeira do dragão", queimaduras com cigarros, tudo acompanhado de ameaças e insultos. A certa altura, o Capitão Albernaz lhe ordenou que abrisse a boca para receber a hóstia sagrada, introduzindo-lhe um fio elétrico que queimou-lhe a boca a ponto de impedi-lo de falar.
Frei Tito foi deixado durante toda uma noite no pau-de-arara e, no dia seguinte, tentou o suicídio com uma gilete, sendo conduzido às pressas para o Hospital do Exército, do Cambuci, onde ficou cerca de uma semana sob tratamento médico sem, contudo, deixar de ser submetido a tortura psicológica constante.
Banido do país, em treze de janeiro, de hum mil novecentos e setenta e um (1971), com outros prisioneiros políticos, em troca da liberdade de um embaixador da Alemanha no Brasil, viajou para o Chile e depois para a Itália e França.
Após algum tempo, instalou-se na comunidade dominicana de Arbresle, tentando desesperadamente lutar contra os crescentes tormentos de sua mente, abalada profundamente pela tortura. Já no exílio, foi condenado pela 2ª Auditoria a uma pena de um ano e meio de reclusão, em vinte e três de fevereiro, de hum mil novecentos e noventa e três (1973).
No dia sete de agosto, de hum mil novecentos e noventa e quatro (1974), com trinta e um anos de idade, Frei Tito se enforcou, pendurando-se em uma árvore. Foi enterrado no Cemitério Dominicano de Sainte Marie de la Tourette, próximo a Lyon, na França. Em vinte e cinco de março, de hum mil novecentos e oitenta e três (1983), seus restos mortais foram trasladados para o Brasil, acolhidos solenemente na Catedral da Sé, em São Paulo, com missa rezada por D. Paulo Evaristo Arns, tendo sido enterrado no jazigo de sua família, em vinte e seis de março do mesmo ano, em Fortaleza-CE.

PE. EZEQUIEL RAMIN

Tinha trinta e dois anos. Nasceu na Itália, em hum mil novecentos e cinqüenta e três (1953). Foi missionário na diocese de Ji-Paraná, Rondônia. Membro da Congregação dos Combonianos, veio para o Brasil em meados de hum mil novecentos e oitenta e três (1983). Assumiu a causa dos trabalhadores sem-terra e dos índios. Ganhou a confiança dos Suruí, que iam procurá-lo para expor os problemas da aldeia.
Quando, em hum mil novecentos e oitenta quatro (1984), o Pe. Ezequiel chegou a Cacoal, encontrou uma caminhada já feita. Havia comunidades fortes e lideranças bem conscientes de suas responsabilidades. Não teve dificuldade de se inserir. A idade, pouco mais de trinta anos, dava-lhe o entusiasmo que o desafio exigia. Além do mais, Ezequiel tinha uma sensibilidade, por certas questões, superior a de tantos outros padres. Foi quando, em uma região entre Mato Grosso e Rondônia, na área pastoral de Cacoal, apareceu uma placa: “Fazenda Catuva, proibida a entrada”.
Coisa estranha: duzentas e cinqüenta famílias trabalhavam aquelas terras há mais de dois anos, convivendo com os únicos possíveis donos, os índios Suruí, com os quais, porém, as famílias tinham conseguido estabelecer relações de respeito e amizade. Porém, apareceu a placa e, com a placa, uma cerca e uma porteira; e gente armada, do outro lado, inibindo qualquer tentativa de aproximação. Os donos? Dois irmãos: Omar e Osmar, fazendeiros. No papel, proprietários de 2.499 hectares. Na prática, tentando abocanhar 50 mil hectares (alguém falava até em 100 mil); passando por cima dos índios, das famílias de posseiros e de suas roças.
A questão chegou à paróquia. Pe. Ezequiel tinha chegado há pouco tempo. Tinha demonstrado sensibilidade pelos problemas do povo. Havia coisas que o incomodavam profundamente: as desigualdades sociais, sobretudo; os muitos que não têm nada e os poucos que têm tudo; as injustiças; a arrogância de quem tenta se impor pelas armas ou pela manipulação das leis. Em várias oportunidades ele tinha tocado nesses assuntos, inclusive nas homilias e celebrações. Era de seu estilo trazer a Palavra de Deus para a realidade das pessoas. O povo ouvia. Alguns simpatizavam, outros o criticavam. Uns poucos manifestavam publicamente seu desapontamento, tanto que o padre passou a gravar suas homilias, para que suas palavras não fossem distorcidas e usadas como armas contra ele.
No dia vinte e quatro de julho, de hum mil novecentos e oitenta e cinco (1985), padre Ezequiel foi ao encontro dos posseiros na Fazenda Catuva, no município de Aripuanã. Na volta, na saída de uma curva, o ataque. Sete homens armados (jagunços de fazendeiros da região), em posição de tiro, esperavam. Dois deles abriram fogo, a uns trinta metros de distância. Estava selado o seu fim.

NATIVO DA NATIVIDADE DE OLIVEIRA

Presidente do Sindicato dos Lavradores Rurais de Carmo do Rio Verde – Goiás. Foi assassinado em vinte e três de outubro, de hum mil novecentos e oitenta e cinco (1985).

DOM OSCAR ARNULFO ROMERO Y GADAMEZ

Nasceu em quinze de agosto, de hum mil novecentos e dezessete (1917), em Ciudad Barrios, em El Salvador. Sua família era numerosa e pobre. Quando criança, sua saúde inspirava cuidados. Com apenas treze anos entrou no seminário. Foi para Roma completar o curso de Teologia, com vinte anos. Ordenou-se sacerdote em hum mil novecentos e quarenta e três (1943).
Retornou a El Salvador, na função de pároco. Era um sacerdote generoso e atuante: visitava os doentes, lecionava religião nas escolas, foi capelão do presídio; os pobres carentes faziam fila na porta de sua casa paroquial, pedindo e recebendo ajuda.
Durante vinte e seis anos, na função de vigário, padre Oscar Romero conheceu a miséria profunda que assolava seu pequeno país. Em hum mil novecentos e setenta e sete (1977), foi nomeado Arcebispo de El Salvador. No dia vinte e quatro de março, de hum mil novecentos e oitenta (1980), Dom Romero foi fuzilado em meio aos doentes de câncer e enfermeiros, enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador.

DORCELINA DE OLIVEIRA FOLADOR

Nasceu em vinte e sete de julho, de hum mil novecentos e sessenta e três (1963), em Guaporema, estado do Paraná (PR). Chegou a Mundo Novo – Mato Grosso do Sul (MS), em mil novecentos e setenta e seis (1976), com onze anos de idade. Iniciou sua atuação na Pastoral da Juventude no ano de mil novecentos e oitenta (1980). Em mil novecentos e oitenta e sete (1987), ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, candidatando-se no ano de hum mil novecentos e oitenta e oito (1988), à vereadora.
Professora, poeta, artista plástica, em hum mil novecentos e oitenta e nove (1989) começou a colaborar com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chegando à direção estadual do Movimento e atuando como repórter popular do seu Jornal. Ajudou a fundar também a Associação Mundonovense dos Portadores de Deficiência Física (AMPDF).
Depois de novamente candidatar-se a vereadora em hum mil novecentos e noventa (1992), e a Deputada Estadual em hum mil novecentos e noventa e cinco (1995), foi eleita prefeita de Mundo Novo para o mandato de hum mil novecentos e noventa e sete (1997), a dois mil (2000). Seu mandato foi interrompido em trinta de outubro, de hum mil novecentos e noventa e nove (1999), às vinte e três horas, quando foi assassinada na varanda de sua casa.

FRANCISCO ALVES MENDES FILHO

Seringueiro desde criança, dedicou praticamente toda a sua vida em defesa dos trabalhadores e povos da floresta. Participou da fundação dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e Xapuri, além da fundação do Partido dos Trabalhadores do Acre, e do Conselho Nacional dos Seringueiros.
Reuniu em sua luta o trabalho sindical, a defesa da floresta e a militância partidária, tendo sido o seu trabalho reconhecido internacionalmente, sendo várias vezes premiado, inclusive pela Organização das Nações Unidas (ONU), que o distinguiu como um dos mais importantes defensores da natureza, no ano de hum mil novecentos e oitenta e sete (1987).
Através de sua luta pela implantação das reservas extrativistas, Chico combinava a defesa da floresta com a reforma agrária reivindicada pelos seringueiros, contrariando grandes interesses, principalmente os interesses de latifundiários e da União Democrática Ruralista (UDR).
Em vinte e dois de dezembro, de hum mil novecentos e oitenta e oito (1988), aos quarenta e quatro anos de idade, Chico Mendes foi assassinado na porta de sua casa.

MARÇAL TUPÃ-i

Índio Guarani. Nasceu em hum mil novecentos e vinte e quatro (1924), e foi assassinado na aldeia de Campestre, município de Antonio João, Mato Grosso do Sul, em vinte e cinco de novembro de hum mil novecentos e oitenta e três (1983), aos cinqüenta e nove anos de idade.
Marçal, cinco dias antes de ser morto, havia recusado uma oferta de dinheiro para facilitar a retirada dos índios Kaiowá, da área Pirakuá.
Em julho de hum mil novecentos e oitenta (1980), leu uma mensagem para o Papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, no Amazonas. Na carta falava da tristeza sentida pelos índios, “pela morte de líderes assassinados friamente por aqueles que tomam o nosso chão”.

GALDINO JESUS DOS SANTOS

Liderança do povo Pataxó e Hã-Hã-Hãe, nasceu em hum mil novecentos e noventa e dois (1952), na Bahia. Na madrugada do dia vinte de abril, de hum mil novecentos e noventa e sete (1997), Galdino, quarenta anos de idade, dormia sob um abrigo de usuários de ônibus da 703/704 - via W-3 Sul, em Brasília – DF, quando foi alvo de um dos crimes mais bárbaros e torpes de que se teve notícia na capital federal e no País.
Passageiros de veículos que transitavam pelo local, com muito custo conseguiram apagar o fogo que lhe ardia em todo o corpo, Galdino deu entrada agonizante mas ainda consciente, no Hospital Regional da Asa Norte. Completamente cego devido às queimaduras nas córneas, conseguiu se identificar para a equipe médica e indicar a localização de seus companheiros. Antes de entrar em coma, perguntou repetidas vezes: “POR QUE FIZERAM ISSO COMIGO?” Galdino achava que havia sido atingido por um coquetel molotov.
Para todos, o choque maior veio poucas horas depois, com a descoberta feita pela polícia: o fogo havia sido ateado às suas vestes por um grupo de cinco rapazes de classe média alta, entre 17 e 19 anos, a título de “brincadeira”.
Dias depois, o menor Gutemberg, participante do atentado, confessava: o grupo fizera uso de dois litros de álcool combustível, comprados cerca de duas horas antes do crime, especificamente para efetuar a "brincadeira".
Com queimaduras em 95% do corpo, o que lhe comprometeu a integridade e o funcionamento dos órgãos internos, Galdino não resistiu e faleceu às duas horas da madrugada, do dia vinte e um de abril (Dia do Índio).
Galdino Jesus dos Santos era indígena do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, que vive no sul da Bahia. Ocupava a função de conselheiro em sua comunidade. Chegara em Brasília no dia dezesete de abril, como parte de uma delegação composta por oito lideranças de seu povo. Com o acompanhamento da assessoria jurídica do Secretariado Nacional do CIMI, eles cumpririam a partir do dia vinte e dois de abril, uma intensa agenda de reuniões com procuradores da República, parlamentares e membros do alto escalão do Ministério da Justiça e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI).
O objetivo era buscar apoio para a solução de um imbróglio judicial criado pelo Juízo da Vara Federal em Ihéus - BA, que impedia o cumprimento de uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), da 1ª Região em Brasília, que meses antes havia reconhecido à sua comunidade o direito de posse provisória sobre uma área de cinco fazendas encravadas em terras indígenas.
Diferentemente do que fora planejado, no dia vinte e dois de abril Galdino fazia a sua viagem de volta, para ser enterrado.

PE. RODOLFO LUNKENBEIN

Sacerdote salesiano, nasceu no dia primeiro de abril, de hum mil novecentos e trinta e nove (1939), em Doringstadt na Alemanha Ocidental. Veio para o Brasil em hum mil e novecentos e cinqüenta e oito 1958. Tinha 37 anos e era diretor da Missão Salesiana de Meruri, no estado de Mato Grosso. Foi assassinado no dia quinze de julho, de hum mil novecentos e setenta e seis (1976), quando a aldeia dos índios Bororo, em Mato Grosso, foi atacada por sessenta fazendeiros armados. Queriam vingar-se dos indígenas por causa de problemas de terra.
Juntamente com Pe. Rodolfo, foi assassinado também o índio Simão, e feridos outros tantos.
Rodolfo havia vivido toda sua vida em meio aos índios, procurando, com eles, resgatar a esperança de vida da tribo. De fato, antes de sua chegada à aldeia, as mulheres Bororo já não queriam gerar filhos, decretando, desse modo, o desaparecimento da tribo. Já fazia seis anos que não nascia uma única criança. Contudo, na missa de funeral de Rodolfo e do índio Simão, já se podia contar numerosas crianças.

PE. VICENTE CAÑAS

Tinha quarenta e oitenta anos de idade quando morreu. Nasceu em Albacete, Espanha, no dia vinte e dois de outubro, de hum mil novecentos e trinta e nove (1939), e veio para o Brasil em hum mil novecentos e sessenta e cinco (1965). Foi assassinado em abril de hum mil novecentos e oitenta e sete (1987), num barraco à beira no rio Juruena, Mato Grosso, por defender os direitos dos índios à sua terra, constantemente invadida por madeireiros e latifundiários.
Ele trabalhou inicialmente com os índios “beiço de pau”, após uma terrível epidemia que assolou esse grupo. Depois, com os Paresi, Miky, e desde hum mil e novecentos e setenta e sete (1977), assistia os Enawenê-Nawê, vivendo como eles.

DOROTHY STANG

Nascida em sete de junho, de hum mil novecentos e trinta e um (1931), na cidade de Dayton, no Estado de Ohio, Estados Unidos. Dorothy veio para o Brasil em hum mil novecentos e sessenta e seis (1966). Fazia parte de uma congregação internacional da Igreja Católica – Irmãs de Notre Dame de Namur – que tem como princípio ajudar os mais pobres e marginalizados.
Sua primeira experiência foi em Coroatá (MA), onde acompanhou o trabalho dos agricultores nas comunidades eclesiais de base. Com o passar do tempo, o povo já não tinha onde plantar e precisava se submeter aos mandos e desmandos dos latifundiários. Diante da situação, muitos migraram para o estado do Pará e Dorothy acompanhou esse movimento. Aos setenta e três anos, voz baixa e mansa, andava sempre sorridente e determinada.
A Irmã Dorothy Stang foi assassinada com sete tiros, aos setenta e três anos anos de idade, no dia doze de fevereiro, de dois mil e cinco (2005), às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a cinqüenta quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.
Essa breve biografia dos mártires aqui citados, dão uma clara idéia das razões pelas quais eles não deverão ser esquecidos: o profundo engajamento e compromisso com as lutas a favor dos mais necessitados, oprimidos e excluídos – os mártires das lutas sociais e politícas, eles que são certamente, mártires da fé.

Proª Maria Aparecida Gonçalves

Documentos Institucionais:
Arquivo da Diocese de Rondonópolis-MT.
Arquivo do jornal A Tribuna de Rondonópolis.

FONTES ONLINE:
http://arlindo_correia.tripod.com/101201.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Dias_da_Silva (Santo Dias)
http://www.acidigital.com/fiestas/quaresma/quaresma.htm
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=8388 (Margarida Maria Alves )
http://www.catolico.org.br/santo_do_dia/santo.php?codigo=198
http://www.cf.org.br/natureza.php
http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2020&eid=257
http://www.pimenet.com.br/noticias.inc.php?&id_noticia=6656&id_sessao=2
http://www.torturanuncamais.org.br/mtnm_mor/mor_mortes_exilio/mor_tito_lima.htm
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/documents/hf_jp-ii_let_01101999_elderly_po.html

1 comentários:

Cida Gonçalves disse...
27 de abril de 2009 11:59  

Oi Marcia filha do PM ACUSADO pela morte de Santo Dias, gostaria que vc deixasse seu email e telefone em comentário. obrigada

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